SEMINÁRIOS
Seminário 1 – A importância do ambiente familiar nos transtornos mentais severos
- É necessário romper a ideia de que transtorno mental tenha uma evolução rotineiramente deteriorante! Acreditamos que com um tratamento e um ambiente favorável se caminha para uma boa evolução e até se recuperar!
- Um fator preponderante na evolução são as “emoções expressadas” na família. Excesso de crítica, hostilidade ou superproteção definem o ambiente como de alta “emoção expressada”. E é isso, um dos principais fatores, que proporciona um maior número de recidivas e maior gravidade dos sintomas, levando a um curso maior nível de comprometimento.
- Ambientes com alta “emoção expressada” aliada a um tempo de contato excessivo com o usuário é um fator previsor de recidivas, mesmo que o indivíduo vulnerável esteja usando ou não medicação. É como se comportamento dos envolvidos anulasse os efeitos protetores da medicação.
- Comportamentos que diferenciam famílias com alta e baixa “emoção expressada” são: respeito às necessidades de relacionamento do paciente, atitude de legitimidade da doença, ou seja, não negar o transtorno, nível de expectativa de funcionamento social do usuário, ou seja, reduzir expectativas e cobranças incompatíveis com a realidade, ampliação da rede social, ou seja, aumentar sua rede e vivenciando atividades sociais e de lazer.
- A necessidade de transformação acontece quando o nível de “emoção expressada” a partir da informação sobre o transtorno, no aprendizado das soluções de problemas, na melhoraria da comunicação, redução das expectativas, redução das respostas emocionais, redução dor o tempo de contato direto com o usuário, para isso serviços como centro de atenção psicossocial são fundamentais e na expansão da rede social.
- Com esse objetivo o programa Entrelaços se propõe a articular etapas que se inicia com seminários de psicoeducação como o que você começa a participar. Seguido de encontros onde um grupo de famílias participam onde se iniciam o processo de transformação e se desdobram em grupos de ajuda mútua. Usuários cujas famílias participaram desses programas tiveram um menor índice de recidiva e melhor evolução. Esse efeito pode ser sentido tem sido sentido por nós ao longo destes anos que construímos o programa.
- É importante a participação do programa completo, tanto dos seminários como da etapa de encontros em grupo. A participação somente dos seminários não é suficiente para ter os benefícios de longo prazo desse tipo projeto.
- Os encontros em grupo permitem que as famílias compartilhem as experiências e busquem as soluções conjuntamente, fortalecendo e ampliando seus laços sociais, formando uma rede de apoio. Entendemos que o verdadeiro conhecimento da resolução das dificuldades se encontra entre aqueles que vivenciam a realidade.
- Nosso programa é idealizado para participação de todos os membros envolvidos. Os usuários são convidados a participar junto com seus familiares. Na nossa experiência, usuários que participam saem mais fortalecidos, preparados e empoderados e isso contribui para sua recuperação. Contudo, a participação deve ser voluntária, deve ir se quiser e se sentir-se à vontade. Ele não deve ser forçado ou pressionado, pois se for estressante para ele, os efeitos poderão ser negativos.
Seminário 2 – Introdução aos Transtornos Mentais Severos
- Os transtornos mentais são chamados de transtorno ao invés de doença, pois não possuem substratos fisiopatológico e anatômico conhecidos, são constructos teóricos baseados em sintomas, funções e evoluções.
- Os nomes dos transtornos são meras convenções para agrupar determinados sinais e sintomas comuns a um grupo de pessoas. O mais importante é compreender a dinâmica do funcionamento do indivíduo por trás do nome, sem a qual o nome não tem sentido.
- O diagnóstico psiquiátrico é realizado pela história do paciente e pelo exame psíquico, onde é possível o profissional de saúde mental avaliar as funções psíquicas e cognitivas, como humor, pensamento, sensopercepção, consciência, atenção, memória, dentre outras. Não existem exames que possam diagnosticar com certeza um grupo de transtornos, exceto o grupo das demências e a neuro sífilis.
- Psicose é o termo utilizado para definir um grupo de comportamentos na qual o indivíduo apresenta perda do juízo de realidade, ou seja, da capacidade de diferenciar fantasia da realidade.
- Isso influencia a cognição, o humor e o comportamento, mas não inviabiliza o viver dessas pessoas, que mesmo assim podem conviver na sociedade de forma plena.
- Existem dois tipos principais de psicose: as processuais e as fasicas. O modelo das processuais é a denominada Esquizofrenia, inicialmente chamadas de “demência precoce” e das fasicas são os Transtornos Afetivos Bipolares, antes chamados de Psicose Maníaco-depressivo (PMD). A principal diferença entre ambas é que a processual normalmente tem um curso lento e progressivo (como um processo), que pode se desenrolar por anos até, eventualmente. eclodir num surto agudo, enquanto a afetiva tem um início mais súbito e um comportamento mais cíclico. Ambas têm sintomas semelhantes, como delírios e alucinações e podem ser difíceis de diferenciar num surto agudo. Ambas prejudicam o funcionamento psicossocial do indivíduo e podem evoluir para um estado crônico se não forem tratadas.
- Os transtornos processuais começam com uma sensação vaga de estranhamento da realidade e de si próprio (desrealização/despersonalização), com uma angústia por não saber o que está acontecendo (humor delirante difuso) e uma necessidade em buscar significados para aquele sofrimento, o que gera as primeiras percepções delirantes e ilusões, que mais adiante podem evoluir para delírios e alucinações. É comum o paciente se isolar mais socialmente e se retrair mais do convívio com a família, o que muitas vezes é confundido com depressão ou acharem que está usando drogas.
- Os transtornos afetivos geralmente começam com variações de humor entre depressão e irritabilidade/euforia, dando a impressão de que so humor e o comportamento da pessoa são imprevisíveis. Ocorrem flutuações nas atividades sociais, como trabalho e escola, de acordo com o estado da pessoa, da mesma forma como os relacionamentos podem se tornar conturbados e intensos, alternadamente com o isolamento quando a pessoa está deprimida. As distorções da realidade, como delírios e alucinações acompanham as flutuações do humor e tem um viés afetivo (p.ex. delírios de grandeza quando se está eufórico e delírios de ruína quando se está deprimido).
- A esquizofrenia, como uma psicose processual, pode ser compreendida dentro de 4 diferentes fases de acordo com a evolução e os sintomas. (A) A fase pré-mórbida é caracterizada por sintomas cognitivos (dificuldade de atenção, memória e aprendizado), motores (tiques, distúrbios da coordenação motora fina) e sociais (retraimento emocional, isolamento social) geralmente inespecíficos e de difícil diagnóstico e que podem iniciar-se na infância. (B) A fase prodrômica apresenta os primeiros sinais de psicose, com alguns pensamentos excêntricos, distorções leves da realidade, ilusões ou alucinações espaçadas, mas com o paciente apresentando maior dificuldade para realizar suas atividades, iniciando-se comumente na adolescência. (C) A fase psicótica corresponde ao surto agudo, em que o paciente apresenta os delírios, alucinações, distúrbios do comportamento em maior intensidade. (D) E a fase estável é aquela em que o indivíduo pode experimentar diferentes níveis de recuperação de acordo com o tratamento, a gravidade e o número de recaídas, a demora em iniciar o tratamento e a qualidade do ambiente sociofamiliar. Ele pode melhorar dos sintomas e recuperar sua funcionalidade, pode ficar com algum nível de sintoma e com alguma dificuldade para realizar suas atividades ou pode permanecer com sintomas psicóticos que interferem em sua vida a ponto de não conseguir se envolver em atividades sociais ou ocupacionais, requerendo maior nível de atenção.
- Um aspecto importante para a recuperação é a precocidade com que se inicia o tratamento. Hoje sabe-se que a psicose provoca uma tempestade química, prejudicando a cognição. Quanto maior o tempo de psicose, maior serão as dificuldades para a recuperação. Infelizmente a média de atraso no tratamento da esquizofrenia ainda é alta, um ano após o surgimento dos primeiros sintomas psicóticos. Um esforço tem sido levar informação às famílias para reduzir a negação e o estigma a fim de acelerar a procura por tratamento adequado.
- As fases dos transtornos afetivos dependem da síndrome, ou seja, do conjunto de sinais e sintomas. Existem as fases depressiva (predomínio de depressão), maníaca (predomínio da excitabilidade ou euforia) e mista (quando há sobreposição de depressão com excitabilidade). Da mesma forma como na esquizofrenia, pode haver uma fase aguda, em que os sintomas estão mais evidentes, e uma fase estável, em que indivíduos experimentam diferentes estágios de recuperação, semelhante à esquizofrenia, com níveis variados de funcionalidade.
- A recuperação pessoal é possível para todos os usuários, independente da gravidade ou do estágio em que se encontram. A recuperação é um processo não-linear com objetivos individuais, onde o desfecho não é necessariamente o retorno à vida que levava antes ou uma vida independente e produtiva, mas o bem-estar e a participação ativa na comunidade, sentindo-se útil e parte dela. Isso é possível alcançar mesmo nos quadros mais graves.
- A reação da família varia de acordo com cada fase da doença. Antes do primeiro surto é comum a negação, tanto por parte da família como do paciente. A negação aliada ao estigma da doença mental são as principais razões para não se buscar o tratamento. Logo após o diagnóstico são comuns sentimento de revolta, culpa e medo. A família tenta lidar com a situação e com esses sentimentos de maneira intuitiva, na tentativa e erro, e isso muitas vezes leva a relacionamentos conturbados entre todos, gerando as emoções perturbadoras.
- Entre os medos comuns entre todos, o que dificulta o início do tratamento, estão: na crença de que os remédios são fortes e causam dependência, medo dos efeitos colaterais que impedem o funcionamento da pessoa, se vai ter que tomar o remédio seria para sempre, o medo da internação e o que fazer quando o mesmo se recusa a tomar a medicação, o medo do preconceito e do estigma de ter uma doença mental, as incertezas sobre o futuro e o devido amparo afetivo, financeiro e legal que ele terá na ausência de seus pais ou responsáveis legais.
- A melhor forma de combater esses medos e preconceitos é com a informação! A informação deve ser de qualidade, preferencialmente através de programas de psicoeducação, permitindo um enfrentamento consciente dos problemas. Isso requer compreender melhor a realidade do paciente e dos desafios que estão por vir.
- Evitar a antecipação desnecessária dos problemas e situações de vida e pensar cada dia de cada vez, procurando solucionar os problemas na medida em que aparecem. A antecipação desnecessária gera mais medo e angústia.
- Esse processo de educação deve ser constante e levar a um amadurecimento progressivo. Há sempre algo novo para aprender e aperfeiçoar, seja trocando experiência com pessoas que vivem realidades semelhantes, seja desenvolvendo e aprimorando novas técnicas de solução de problemas e comunicação.
- É preciso tranquilidade e uma atitude construtiva! Mudar sua postura e entender a situação, reduzindo o nível de ansiedade e de resposta emocional, cuidar da comunicação entre todos para que seja possível formar uma parceria, em que todos estejam imbuídos de um mesmo objetivo de recuperação.
- Uma técnica de comunicação efetiva envolve 4 etapas (método LEAP): (A) ouvir, compreender o que ele está vivendo, colocando-se em seu lugar. Não antecipar sua opinião antes de ter certeza de que você compreendeu tudo o que ele tem a lhe dizer e que ele compreendeu que você o escutou atentamente. (B) empatizar, ou seja, através da escuta, criar uma empatia com o que ele está vivenciando, para que ele lhe enxergue como pessoa em quem ele pode confiar e se abrir, eventualmente até se aconselhar. (C) concordar em discordar: após o estabelecimento desta relação positiva e de confiança, é possível você emitir sua opinião, ainda que seja contrária à dele, sem que isso signifique um rompimento. É possível ter pontos de vista diferentes, sem que isso signifique que uma ou outra parte sejam o “senhor da verdade”. Ter opiniões diferentes pode ser saudável para a reflexão e o aprendizado. (D) formar uma parceria: quando há a empatia e o respeito às diferenças é possível fazer uma parceria para enfrentar conjuntamente as dificuldades, traçando objetivos em comum, um auxiliando o outro a alcançá-los.
- Uma melhor comunicação reduz o nível de tensão na família e na relação, permite colher mais informações sobre o que ocorre com o outro, tem menor risco de desavenças ou hostilidade, tem maior chance de cooperação, permite conhecer e compreender melhor suas demandas (o que ele deseja e consegue executar versus o que você gostaria que ele fizesse).
- O familiar deve adotar uma postura e um tom conciliador, evitando momentos de tensão e confronto, com respeito ao paciente e às suas demandas, buscando compreender as consequências emocionais que um pensamento ou seu comportamento possa provocar nele. Somente lidando melhor com essas consequências emocionais é possível influenciar nas causas e nos comportamentos. (regra dos 3C’s: causa-comportamento-consequência).
- Dar feedbacks positivos quando o ele faz algo que lhe agrada ajuda a reforçar comportamentos positivos e a fortalecer as relações. Isso significa valorizar os avanços em detrimento dos problemas.
Seminário 3, 4 e 5 – Principais sintomas, causas e tratamentos do Transtornos Mentais Severos
Nestes seminários se discute as características, teorias sobre as causas biológicas e ambientais e tratamentos dos principais transtornos mentais, e recomendamos entre outras literaturas, os livros “Entendendo a Esquizofrenia”, “O Enigma Bipolar”, Estados Mistos de Humor: Do Diagnóstico ao Tratamento”, “Princípios E Prática Em Transtornos Do Espectro Obsessivo Compulsivo” entre outros ou em sites como: https://entendendoaesquizofrenia.com.br
Seminário 6 – Tratamentos psicossociais dos Transtornos Mentais Severos
- A presença do Transtorno Mental em um membro da família é uma experiência que afeta a todos seus membros e a comunidade em torno desta. Quando uma família experimenta o estresse que esta situação gera no ambiente familiar, sem receber ajuda e/ou apoio, eles serão menos capazes de ajudar efetivamente seu familiar. Por isso, ressaltamos a importância de cada membro desenvolver e manter uma preocupação saudável consigo próprio, o que consequentemente refletirá numa melhor possibilidade em ajudar seu familiar.
- O modelo de Reabilitação Psicossocial vem em contraposição a um modelo centrado no hospital psiquiátrico e que busca romper com saberes e práticas até então instituídos.
- Reconhecer o usuário como “sujeito” que possui uma história de vida e desejos é um elemento importante no processo de recuperação, para que não se perca de vista o fato que ele é uma pessoa plena, com vontades, necessidades, e sentimentos que podem estar turvados pela percepção alterada da realidade. É importante que seja ouvido no seu processo de cuidado, e participe ativamente do seu projeto terapêutico, tendo como foco a atenção as suas necessidades mais imediatas, entendendo que o processo de recuperação e construção de vínculo pode ser lento e precisa ser construído e cultivado no dia a dia.
- É envolvida por diferentes disciplinas do conhecimento e múltiplos atores. O cuidado ao usuário precisa ser realizado por uma equipe multiprofissional, não podendo se limitar apenas ao uso de medicamentos, mas lançando mão de outros recursos como terapia, participação em grupos e oficinas que promovam a autonomia e a inclusão social do paciente e a integração com sua família e comunidade.
- Entende que o adoecimento não é exclusivamente biológico, mas também psicológico e social.
- Tem como paradigma um movimento centrífugo (de dentro para fora), que implica numa maior participação do usuário, mas não como consumidor passivo e sim como um agente ativo do seu processo.
- Os objetivos dos serviços são: ajudar as pessoas a se recuperarem; integração comunitária e qualidade de vida.
- Os valores (são crenças que geram comportamentos específicos, atitudes e ideias): autodeterminação/empoderamento; dignidade; otimismo; acreditar na capacidade de aprender e sensibilidade cultural.
- Princípios orientadores: individualização de todos os serviços; envolvimento do usuário alinhando suas preferências, valores e aspirações; parceria com a família; valorização dos papéis sociais (papel de filho, marido, esposa, profissional, estudante, vizinho…); coordenação dos serviços; focar nos aspectos saudáveis; treinamento das habilidades e orientação vocacional.
- Reabilitação vocacional: trabalhar e ganhar um salário promove a autoconfiança, autoestima, status na comunidade e bem-estar econômico. Barreiras que dificultam conseguir um emprego são: o estigma, serviços que não condizem com os desejos e habilidades do usuário, falta de experiência profissional e limitações cognitivas.
- Terapia Cognitivo Comportamental: parte do pressuposto de que o comportamento é adaptativo e que existe interação entre pensamentos, sentimentos e comportamentos.
- Terapia de Família: a família funciona como um sistema, onde cada membro exerce uma função, alimentados e retroalimentados entre si e onde qualquer movimento de uma dessas peças implicará numa possível mudança ou rearranjo.
- Acompanhamento Terapêutico (AT): objetivo é o acompanhante terapêutico se inserir de maneira criativa, estratégica e terapêutica no ambiente familiar, social, lazer…, reconstruindo rotinas e ritmos.
- Psicoeducação: capacitação para o enfrentamento do transtorno através da informação, solução de problemas e desenvolvimento de uma expertise para o autogerenciamento, além da conscientização sobre o transtorno.
- Terapia de Solução de Problemas: busca identificar, descobrir e/ou desenvolver soluções adaptativas para o enfrentamento dos problemas do dia-a-dia.
- Reabilitação Cognitiva: treinar e recuperar funções como a memória, atenção, planejamento estratégico, raciocínio…
- Intervenções providas pelos pares: Grupo de Suporte Mútuo; Serviço de Suporte por Pares e Serviço de Saúde Mental provido por Pares.
- No contexto do SUS, as unidades básicas de saúde, conhecidas como clínicas da família, centros municipais de saúde, ou postos de saúde, são a principal porta de entrada para o sistema de saúde pública.
- Todos os moradores do município do Rio de Janeiro podem consultar através do site “Onde ser atendido” (https://smsrio.org/subpav/ondeseratendido/) qual a unidade básica de saúde de referência do seu domicílio, e se o seu domicílio tem cobertura de saúde da família.
- Na Estratégia Saúde da Família a equipe realiza atendimentos na unidade de saúde e no domicílio, para os casos de pessoas com dificuldades de locomoção, acamados ou restritos ao domicílio por outras razões, como acontece com alguns pacientes com Transtorno mental.
- A Estratégia Saúde da Família conta com o apoio de profissionais do NASF, composto por equipe multiprofissional, que auxilia a equipe de saúde da família no acolhimento e abordagem inicial dos casos de saúde mental.
- Casos de maior complexidade serão compartilhados pela equipe de saúde da família com os CAPS. Embora o indivíduo vulnerável possa a ser acompanhado pelo CAPS, ele mantém seu vínculo com a equipe de saúde da família que continua responsável pelo seu cuidado clínico, para além das questões de saúde mental, como por exemplo, acesso a consultas e exames, como preventivo, acompanhamento de hipertensão e diabetes, tratamento odontológico, vacinação etc.
- Nos casos em todos percebam que estão tendo seu acesso à saúde desrespeitado, uma das formas de procurar ajuda é através da Ouvidoria do SUS no telefone 1746, ou do aplicativo disponibilizado para smartphones, ou pela Internet: http://www.1746.rio/
- No caso de usuários de planos de saúde, quando sentirem que seus direitos ou de suas famílias estão sendo desrespeitados, o primeiro passo é procurar a Ouvidoria da própria operadora. Em caso de não receber resposta, ou de não ficar satisfeito com a resposta, poderão recorrer à ouvidoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar: http://www.ans.gov.br/central-de-atendimento
- Participar de grupos de família e atividades de lazer com outras famílias é uma forma de paciente e família expandirem sua rede de apoio, possibilita o contato e a troca com outras pessoas que estejam passando ou já passaram pelas mesmas situações, e como lidaram com elas. Por isso podem ser consideradas estratégias importantes no processo de autocuidado da própria família e do paciente. Informações sobre os grupos de família já existentes podem ser acessadas neste site ou no Portal Entendendo a Esquizofrenia.
- Para que o cuidado da pessoa com Transtorno mental alcance seu objetivo de recuperação e inclusão social, é importante que todos assumam um papel ativo na construção de um plano de cuidado adequado às necessidades do seu familiar via parceria.
- Mesmo nas situações em que o usuário não aceite a presença do familiar durante as consultas é importante que a família procure manter contato com a equipe de saúde, para ajudar a pensar em conjunto sobre a melhor forma de cuidar do seu familiar, falar sobre as situações que tem vivenciado, suas respostas ao tratamento, percepção de piora do quadro de delírios e alucinações e dos efeitos colaterais dos medicamentos.
- É importante que a família conheça os seus diretos e do usuário em relação ao seu acesso à saúde, medicamentos, benefícios sociais e previdenciários quando houver. Também é importante que todos saibam reconhecer quando os seus direitos de acesso a saúde estão sendo desrespeitados e procurem ajuda para garantirem o acesso aos mesmos.
- É preciso estar atento a queixas clínicas que o usuário apresente e reportá-las ao médico para que sejam descartados problemas clínicos que podem não ter relação com o transtorno mental.
Seminário 7 – Recuperação pessoal das psicoses
- A discussão sobre a recuperação dos transtornos mentais parte da prática que adotamos na assistência à saúde mental.
- A visão fatalista da doença mental como se ela caminhasse inexoravelmente para a deterioração psíquica é prejudicial para um olhar sobre a recuperação como algo tangível.
- A reforma psiquiátrica e a reabilitação psicossocial através da participação comunitária das pessoas com transtornos mentais permitiram uma transformação no conceito de recuperação.
- A recuperação é vista como um processo dinâmico em que indivíduos mais vulneráveis ao estresse tornam-se mais resilientes e retomam seu equilíbrio e bem-estar com ajuda de fatores de proteção, tanto biológicos (tratamentos) como ambientais (família e sociedade).
- A prática da saúde mental, para estar alinhada ao conceito de recuperação pessoal (termo em inglês: Recovery), precisa incorporar os seguintes valores: autodeterminação da pessoa com transtorno mental, tratamentos centrados na pessoa e individualizado, estímulo ao empoderamento dos indivíduos e de sua família, visão holística de tratamento incluindo as dimensões biológicas, psicológicas e sociais da pessoa, processo não linear de recuperação (com avanços e recuos, erros e acertos), intervenções baseadas nos recursos da pessoa e de sua família, busca pela esperança, pelo bem estar e pela qualidade de vida.
- Nesta concepção a recuperação é possível para todas as pessoas, independente da gravidade ou complexidade do caso. Cada um deve ser capaz de alcançar seu nível de autonomia possível naquele momento, retomando sua participação na sua comunidade e incorporando hábitos e atitudes que promovam seu bem-estar. É a crença na capacidade de cada um aprender e crescer que move as pessoas a se recuperarem.
- Princípios para os serviços orientados ao Recovery: visão otimista do transtorno mental, acreditando que a recuperação é possível, serviços baseados nos indivíduos, máximo envolvimento deles quanto às suas preferências e escolhas, parceria entre técnicos e pacientes e cuidadores, com decisões compartilhadas entre eles, busca da normalização e da participação ativa na comunidade, foco nos recursos das pessoas, em suas forças e não em suas fragilidades, avaliações situacionais (visão ecológica – indivíduos reagem ao ambiente, tanto positivo como negativo), sensibilidade cultural, integração entre tratamento e a reabilitação psicossocial, serviços coordenados e acessíveis, foco no aspecto vocacional, treinamento de habilidades, suporte ambiental, parceria com a família, foco orientado na evolução.
- É importante que se avalie a prontidão do paciente: ele precisa estar pronto (em condições psíquicas) para as atividades e não expor o indivíduo vulnerável às atividades que possam estressá-lo e precipitar uma nova crise. Isso envolve percepção da necessidade de mudança, compromisso com a mudança, consciência do ambiente, consciência de si (auto-consciência), confiança nos técnicos e nos relacionamentos interpessoais (família, amigos, pares).
- Envolvimento do paciente é essencial para assegurar que o projeto possa ir em frente. Seus objetivos devem ser traçados em conjunto e dirigidos à comunidade e à meta de escolhida por ele.
- No processo de recuperação a pessoa e a família devem procurar o desenvolvimento de uma nova auto-imagem, assumindo a concepção dos vários caminhos possíveis para cada pessoa.
- Lidando com o estresse x redução do estresse: planejar e desenvolver estratégias efetivas para solucionar os altos níveis de estresse, reduzindo o estresse do ambiente de forma gradativa e progressiva, mas sobretudo desenvolvendo habilidades para lidar com ele.
- A comunicação e aprender a boa maneira de se comunicar são essenciais para produzir boas soluções para lidar com o estresse.
- Clube: iniciativas planejadas e lideradas pela própria comunidade, constituída por pessoas envolvidas com transtornos mentais, para realização de atividades sociais e ocupacionais, como emprego temporário e emprego definitivo. O clube pode oferecer serviços a outras empresas que serão executados por seus membros.